Atletas paralímpicos esperam atrair patrocinadores após campanha histórica em Tóquio

Atletas paralímpicos esperam atrair patrocinadores após campanha histórica em Tóquio

por Mônica Valentin | set 27, 2021 | Blog

Especialista em Marketing Esportivo espera que o mercado invista mais em talentos paralímpicos brasileiros

Depois de brilhar em Tóquio, com a melhor campanha do país na história dos Jogos Paralímpicos, os atletas brasileiros querem mais. Responsáveis pela sétima posição no quadro geral, com 72 medalhas (22 de ouro, 20 de prata e 30 de bronze), eles não se contentam apenas com o reconhecimento dos torcedores e da mídia. Eles querem ser vistos como o que realmente são: atletas da elite, de alto rendimento, que merecem, assim como os olímpicos, virarem garotos ou garotas-propaganda de grandes marcas, estampar revistas, e carregar nos uniformes as logos e nomes de seus patrocinadores.

Se nas arenas, estádios, quadras, campos e piscinas, os atletas vêm consolidando, a cada edição, o Brasil como uma das grandes potências paralímpicas mundiais, fora dos complexos esportivos eles ainda estão, com raras exceções, descartados dos contratos de publicidade e do interesse do mundo corporativo. Um panorama que intriga a empresária Mônica Valentin. Atuando no mercado de marketing e comunicação há mais de 15 anos, a profissional dedica-se, desde 2013, exclusivamente ao esporte paralímpico. E tenta entender a baixa adesão de patrocinadores ao segmento que vem conquistando cada vez mais resultados e visibilidade.

“Se dentro do marketing esportivo você precisa de um produto bom, o esporte paralímpico, pelos próprios números, prova que eles são bons o suficiente para chamar a atenção. Tento entender o porquê esses investimentos não chegam. Ainda estamos batendo no preconceito? Se tem tantas empresas se mobilizando, levantando bandeiras, no que a gente chama de marketing de causa, onde está o investimento, o apoio em si? Às vezes eu fico pensando se é uma fachada. Aonde está de fato o apoio à diversidade?”, questiona.

Dificuldades no caminho em um ciclo mais curto  

Trabalhando com atletas do vôlei sentado, atletismo e natação, entre eles o multicampeão e recordista brasileiro de medalhas paralímpicas, o nadador Daniel Dias, Mônica Valentin salienta um complicador que atinge modalidades menos conhecidas. “Você imagina a dificuldade, enquanto representante de atletas do goalball, por exemplo, para explicar o que é a modalidade, exclusiva do universo paralímpico, para depois apresentar esse atleta e o seu potencial. O desafio é ainda maior”.

Para Mônica, o patrocínio pode fomentar o desenvolvimento do esporte paralímpico nacional como um todo, porque proporciona as condições ideais para a revelação e consolidação de novos talentos e impulsiona a conquista de resultados expressivos dos atletas em menor espaço de tempo.

“A partir do momento em que o atleta tem patrocínio, ele consegue se profissionalizar, se dedicar ao esporte com qualidade, com material de ponta, equipe multidisciplinar e condição de viajar para treinamentos e competições internacionais. Isso tem um impacto grande na carreira e no desenvolvimento do atleta e do alcance que ele pode ter no esporte. Nem todos os atletas têm essas condições à disposição, como têm nas Seleções Brasileiras. Às vezes podemos estar falando de um talento nato, mas sem ajuda ele vai demorar mais tempo para chegar à Seleção ou alcançar resultados expressivos internacionalmente. Esse processo poderia ser acelerado se ele tivesse apoio”, aponta.

Com um ciclo mais curto até os Jogos Paralímpicos de Paris, em 2024, os atletas correm ainda mais contra o tempo para dar conta dos treinamentos e competições que o calendário apertado reserva. Tudo isso sem perder o fôlego na busca de parceiros que garantam o respaldo financeiro necessário para alcançar as melhores marcas e lugares no pódio.

“Este ano que perdemos (em razão da pandemia e o consequente adiamento dos Jogos de Tóquio) era o mais tranquilo, em que os atletas não teriam competições tão fortes e usariam para descansar e se recuperar. Como não vai ter isso, em 2022 já tem Mundial de praticamente todas as modalidades, em 2023 tem o Parapan e 2024, já são os Jogos de Paris. Vai ser um ritmo bem intenso de treinamentos, competições e vai passar muito rápido. Quanto mais cedo os patrocinadores atentarem para isso e abraçarem o esporte e os atletas paralímpicos, melhor ainda será o desempenho do Brasil na França”, diz Mônica.