Ouro no mundial e vaga em Paris 2024 para as meninas do vôlei sentado.

O time feminino de vôlei sentado fez história nesta sexta-feira, dia 11. A equipe conquistou o ouro na competição, com o título inédito de campeã mundial da modalidade. O evento foi disputado em Sarajevo, na Bósnia.

Elas disputaram a final contra a seleção canadense às 12h30 (Horário de Brasília). A vitória foi no tie-break com as parciais (25×23 / 18×25 / 21×25 / 25×17 / 15×6). O Brasil fez um primeiro set apertado. No terceiro set, o time brasileiro chegou a abrir vantagem, mas as canadenses levaram a melhor. As brasileiras recuperaram bem no quarto set. Além de levarem ouro como campeãs mundiais, as meninas garantiram a vaga nos Jogos Paralímpicos Paris 2024.

“Nós somos muito unidas, acho que isso deu força pra gente. O time estava muito confiante. Pegamos o cruzamento de chaves bem difícil, enfrentamos os EUA na semifinal, com uma vitória histórica. Nossa equipe estava mais preparada mais atletas experientes, com técnico novo e um banco que consegue trocar muito bem. É um sonho essa medalha de ouro e a vaga para o Brasil em Paris 2024”, comemora a atleta Luiza Fiorese.

A seleção Brasileira feminina já detém duas medalhas paralímpicas (bronze) conquistadas no Rio2016 e Tóquio 2020. Neste Mundial, elas fizeram uma campanha impecável, com seis vitórias em seis partidas. 

* Brasil x Canadá

Brasileiras e canadenses se enfrentaram duas vezes nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020. Em ambos os confrontos, o Brasil derrotou a seleção rival por 3 sets a 1. O primeiro duelo foi pela primeira fase, já o segundo foi a disputa pela terceira colocação. 

Já no Torneio Holandês de vôlei sentado, realizado na cidade de Assen, na Holanda, em julho deste ano, as canadenses levaram a melhor e derrotaram o Brasil por 3 sets a 0.  

Luiza Fiorese participa de primeiro mundial da carreira e espera trazer ainda mais representatividade para mulheres e pessoas com deficiência.

As Seleções Brasileiras masculina e feminina de vôlei sentado disputam a partir desta sexta-feira, dia 4, o Campeonato Mundial da modalidade, em Sarajevo, capital da Bósnia. O evento acontece até 11 de novembro. Com pouco mais de 3 anos de carreira na modalidade, Luiza está animada por viajar representando o país e por ser o primeiro mundial carreira.

O foco principal é a medalha, mas ela reforça que seu objetivo é ainda mais transformador: “Estou feliz em viajar pela seleção, vamos lutar para conquistar uma medalha. Mas eu quero representar o país e as pessoas com deficiência. Trabalho para ser uma inspiração. O Brasil precisa de ídolos mais plurais, com deficiência, mais mulheres, mais pessoas diferentes”, explica.

“Acredito na força da inspiração e da dedicação. O que era para ser pesadelo na minha vida acabou virando sonho”, completa a capixaba.

Curta carreira

A carreira no vôlei sentado é um pouco recente. Luiza começou a praticar no primeiro semestre de 2019 e tudo passou rápido. No fim do mesmo ano foi convocada para representar a seleção brasileira. Em 2021 conquistou medalha de bronze nos Jogos de Tóquio.

Mais sobre o Mundial de vôlei sentado

Atualmente ambas as equipes de vôlei sentado são comandadas pelo técnico Fernando Guimarães. Ao todo, 25 atletas representarão o Brasil no torneio. O time feminino estreia no sábado, às 4h (horário de Brasília), e joga contra a Alemanha. Na sequência, jogam com Itália e Finlândia. A competição feminina tem 13 seleções, separadas em três grupos. A seleção campeã garante vaga antecipada para os Jogos Paralímpicos de Paris 2024.

Vinícius Rodrigues participa da Running Clinic Ottobock no Chile

Nos dias 11, 12 e 13 de outubro o brasileiro Vinícius Rodrigues participa como convidado do Running Clinic Ottobock – edição Chile. O Atleta estará no evento para compartilhar conhecimento e motivação com os participantes de seis países da América Latina, O evento mundial destinado ao esporte para pessoas amputadas dos membros inferiores tem uma pegada educativa e de troca. Participam usuárias de próteses e que nunca tiveram experiência com corrida ou querem voltar a correr.

Os participantes, de seis países da América Latina, vão estar reunidos em Santiago, capital chilena, para focar no aprendizado do esporte, juntamente com equipe de peso da Ottobock América Latina. Além de inspirar crianças, Vinícius reencontra seu ídolo e grande inspirador do esporte, o alemão Heinrich Popow, que competiu na modalidade nas Paralimpíadas de 2004, 2008 e 2012.

“O Popow foi o primeiro atleta amputado que me inspirou e me ajudou a conseguir uma prótese de corrida. Tenho muita admiração pela pessoa e pelo atleta. é uma honra reencontra-lo neste evento tão incrível”.

Vinícius ainda terá uma missão nobre, ajudar o multimedalhista de natação Daniel Dias na pista de corrida.
Isso mesmo, Daniel Dias, ainda iniciante na prática, fará suas primeiras tentativas numa pista de atletismo.

Estar nas pistas será uma novidade para o nadador, que não esconde a expectativa de testar suas habilidades em um novo esporte. “Nunca havia participado de uma competição do atletismo paralímpico. Ainda não sei como correr com a prótese, mas estou muito empolgado e feliz com a oportunidade”, comenta.

“Ainda que eu não esteja treinando no mesmo ritmo que eu treinava na época em que competia na natação, sempre busco me manter ativo na prática esportiva, pelo menos três vezes na semana. Espero me adaptar com a prótese para a corrida para que eu possa ter um cronograma de treinamento”, afirma Daniel.

O objetivo Running Clinic Ottobock é reunir pessoas que desejam aprender a correr e desfrutar da atividade pela primeira vez. Os participantes do evento vão utilizar durante os três dias uma prótese desportiva produzida pela empresa alemã. No último dia, que será aberto ao público, vão correr 200 metros para mostrar o que aprenderam durante as atividades esportivas.

“A ideia é mesmo um amistoso e troca de conhecimento, diversão, além de ser um evento que inspira. Estou feliz com a oportunidade de fazer todo mundo correr e sentir a mesma sensação que eu tive quando comecei. Sem dúvida, é uma liberdade”. Empolga-se Vinícius.

Raíssa Machado vai usar CNH contra o preconceito

Atleta brasileira se prepara para guiar carros e deixar de ser maltratada ao pedir carro por aplicativo para ir aos treinos

Recordista mundial de lançamento de dardo na classe F56 – para atletas com comprometimento nos membros inferiores e que lançam sentado -, Raissa Rocha Machado está prestes a alcançar uma nova conquista: a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A medalhista de prata nos Jogos Paralímpicos de Tóquio está finalizando as aulas de direção e, tal qual os pódios que alcançou nos últimos anos, já se imagina guiando feliz pelas ruas de São Paulo.

A CNH é um sonho de boa parte dos brasileiros que chegam à fase adulta, mas no caso de Raissa também representa um basta a humilhações que sofreu nos últimos anos. Ela mora na Vila Mariana, a poucos quilômetros do Centro de Treinamento Paralímpico, que fica na Rodovia dos Imigrantes. Em geral, a atleta faz esse deslocamento pedindo carro por aplicativo, o que nem sempre para ela é uma experiência agradável.

“Não são todos, mas alguns motoristas tratam a gente como lixo”, conta. “Sempre enfrentei preconceito, seja em São Paulo ou Uberaba (onde mora a família). Mas a gota d’água foi quando um motorista foi me buscar e disse para o segurança do CT: ‘vou ter que levar uma cadeirante por três reais?’.”

Raíssa lembra que a atitude do motorista a deixou muito mal, mas de certa forma serviu como um novo impulso. “Aquele momento foi muito doloroso. Expus no meu Instagram e recebi várias mensagens de outras pessoas com deficiência que haviam passado pelo mesmo. Isso é muito difícil, muito complicado”, diz. “Eu posso correr atrás, o meu problema eu consigo resolver. Mas, e as outras pessoas, como faz?.”

A primeira tentativa de tirar a CNH veio em 2019, um ano após se mudar sozinha para São Paulo, mas ela própria admite que aquele não era o momento ideal. “Tentei tirar a carta, mas eu desisti. Tenho TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade). Depois disso, minha psicóloga começou a me ajudar e isso fez total diferença. Ela me mostrou que basta eu focar e querer”, conta Raíssa, que retomou as aulas de autoescola nos últimos meses.

A paratleta Raíssa Rocha, de 25 anos, faz aula de autoescola para conseguir sua CNH Foto: Werther Santana / Estadão

“Estou gostando muito. Só de imaginar que vou poder viajar, ver minha família, meu amigos… Todos profissionais que me auxiliam são incríveis, os instrutores estão sempre me motivando e falando que sou uma boa condutora”, comemora a medalhista paralímpica.

As aulas são dadas pela autoescola Javarotti, na Vila Mariana, enquanto que uma empresa especializada no mercado PCD, a Évora Isenções, ajuda Raíssa com a assessoria para ela conseguir acesso às isenções de impostos a que tem direito para a aquisição de seu próprio carro. “Eles estão me ajudando a escolher um modelo ideal para mim, mas por enquanto eu estou focada em tirar em carta!”, comenta.

Entre uma aula e outra, Raíssa Rocha também segue treinando para o Gran Prix de atletismo. Organizado pelo Comitê Paralímpico Internacional, a competição acontece entre os dias 15 e 17 deste mês em Marrakech, no Marrocos. Lá, a recordista mundial de lançamento de dardo na classe F56, com 24,8 metros, vai tentar uma nova medalha e, quem sabe, uma nova marca.

Por Marcio Dolzan

Fenômeno da natação paralímpica, Gabriel Bandeira, disputa o Troféu José Finkel em Pernambuco

De olho na preparação para os Jogos de Paris 2024, paratleta disputa 10 provas na maior competição do país para nadadores olímpicos.

Um dos principais nomes da nova geração de paratletas, o jovem Gabriel Bandeira, disputa na próxima semana o Campeonato Brasileiro Absoluto de Natação, em Recife. O mais curioso, é que o ele competirá ao lado de nadadores olímpicos. Gabriel disputará 10 provas no maior evento do calendário brasileiro de natação convencional. O Troféu José Finkel acontece entre os dias 13 e 17 de setembro, no Parque Aquático do Centro Esportivo Santos Dumont. No esporte adaptado, Gabriel compete pela classe S14 (para atletas com deficiência intelectual).

Para o nadador do Praia Clube, o Troféu Brasil de Natação funcionará como um teste pessoal e uma forma de melhorar seus tempos. “Nadar com atletas convencionais é muito bom pois eles acabam me puxando, me estimulam a fazer um tempo melhor. Diferente de muitos atletas que são focados em um estilo e perfis de velocidade, eu estou me preparando para nadar um programa extenso nos Jogos de Paris 2024. Sei que ainda está distante, mas a preparação de um

atleta para competir tantas provas é longa e árdua. Essa base é muito importante. Estou animado e espero nadar bem”, empolga-se Gabriel.

Essa não é a primeira vez que Gabriel disputa um evento com atletas sem deficiência. Desde os 11 anos, ele competia no convencional, participando de grandes competições. Ele migrou para o paradesporto no início de 2020. Apesar de ter uma trajetória curta, Gabriel Bandeira é considerado um dos principais atletas paralímpicos da natação no país.

Raíssa Machado chega como favorita para disputar o Grand Prix de Marrakesh, no Marrocos

Nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, a atleta conquistou medalha de prata na prova do lançamento do dardo e é a atual recordista em sua classe.

A paratleta Raíssa Machado, nascida em Ibipeba, embarca neste final de semana para a disputa do Grand Prix de Marrakesh, no Marrocos, que acontece de 15 a 17 de setembro. A baiana é recordista mundial da prova do lançamento do dardo, classe F56, e chega como favorita na competição internacional.

Raíssa estabeleceu o novo recorde mundial em sua classe, em março deste ano, em uma competição no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo. A baiana alcançou a marca de 24m80.

“A responsabilidade aumenta e a minha cobrança em evoluir também, mas acredito que estou no caminho com um passo de cada vez. É a primeira vez que vou para uma competição internacional como recordista então não sei o que dizer, vou atrás da minha evolução como atleta e tudo pode acontecer em uma competição. Estou bem focada e animada”, finaliza a atleta.

O antigo recorde mundial era 24m50 e pertencia à iraniana Hashemiyeh Moavi. A marca foi feita justamente nos Jogos Paralímpicos de Tóquio e rendeu a medalha de ouro à atleta do Irã. Na mesma prova Raissa lançou 24m39 e ficou com a medalha de prata.

Sobre o encontro com as adversárias de Raíssa, o técnico João Paulo Cunha adianta que será uma surpresa. “Ainda não temos noção de quem estará lá. Os GP’s internacionais são sempre surpresas, não temos informação antecipada. Saberemos lá, mas Raíssa segue focada em seus treinos e isso é o mais importante”, comentou o técnico.

A convocação foi anunciada pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e a atleta embarca dia 10 de setembro. O Grand Prix de atletismo de Marrakesh acontecerá entre os dias 15 a 17 de setembro e o Brasil será representado por 24 atletas.

Raíssa Machado bate recorde mundial no lançamento do dardo e reforça força do feminino no esporte adaptado

O rosto da nova geração do paratletismo, Raíssa Machado, de 25 anos, conquistou a melhor marca do planeta no lançamento do dardo, com a distância de 24,80m, neste fim de semana, na primeira competição nacional da temporada de 2022. O evento aconteceu no CT Paralímpico. A atleta compete na classe F56 (para atletas com comprometimento nos membros inferiores e que lançam sentado).

“É a minha primeira competição do ano, estou muito feliz, e não esperava bater o recorde mundial. Estou na fase dos testes de força e esperava um bom resultado, mas não o recorde. Me surpreendi, mas fui consistente e veio a marca. Estou muito emocionada, espero que as outras competições me surpreendam como esta”, empolga-se Raíssa.

Em agosto de 2021, Raissa conquistou a medalha de prata em Tóquio e bateu o recorde das Américas e distância de 24,39m. Esta marca era a melhor da carreira da atleta. Com a conquista deste domingo, a brasileira derrubou a marca da iraniana Hashemiyeh Motaghian Moavi, antiga detentora do recorde mundial com 24,50m.

O evento marcou o início da temporada e representou um novo momento, um marco 

de esperança após a pandemia.  A 1ª Fase nacional do Circuito Loterias Caixa aconteceu no CT Paralímpico, em São Paulo, e contou com 230 atletas. A atleta também treina no local, referência no Brasil e no mundo em esporte adaptado.

Nascida em Ibipeba/BA, com uma má formação congênita nos membros inferiores. Ainda na infância, sofreu bullying na escola, e passou por um difícil período de rejeição da própria aparência e deficiência. Teve depressão, conseguiu superar e hoje é muito orgulhosa de sua trajetória. Raíssa é uma das principais atletas do mundo no arremesso de dardo.Ela conquistou o bronze no Mundial de Dubai 2019 e o ouro no Parapan de Lima. Nos Jogos de Tóquio, levou a prata e quebrou o recorde das Américas com a marca de 24,39m. A garota que tinha dificuldades em se olhar no espelho, de aceitar a própria aparência, evoluiu, e hoje inspira muitas pessoas. 

Sete fatos sobre o nadador Gabriel Bandeira que prometem um Mundial incrível para o Brasil

O atleta de 22 anos conquistou quatro medalhas nos Jogos de Tóquio nas provas de natação, pela classe S14 (para atletas com deficiência intelectual). Essa semana, Gabriel está na Ilha da Madeira, em Portugal, onde disputa a partir de domingo, 12, o Campeonato Mundial da modalidade. 

Gabriel praticou natação convencional por quase 10 anos. Com pouco mais de dois anos de trajetória no esporte paralímpico, ele coleciona feitos que impressionam. Preparamos uma lista para você saber mais sobre esse novo talento nas piscinas.

1 – É recordista mundial na prova dos 100m borboleta. Conquistou a marca em maio deste ano no Campeonato Brasileiro Loterias Caixa de natação, com o tempo de 54s18;

2 – É Recordista Paralímpico também na prova dos 100m borboleta, conquistado nos Jogos de Tóquio;

3 – Possui 5 recordes das Américas (100m livre, 100m costas, 100m borboleta, 200m livre, 200mm medley);

4 – Está invicto na piscina de Funchal (em Portugal) onde disputará a competição. Em maio de 2021 disputou o Aberto Europeu na mesma piscina onde acontecerá o Mundial.  Venceu todas as provas;

5 – Gabriel participou de quatro competições paralímpicas no ano de 2022. Entre disputas nacionais e internacionais, ele disputou 23 provas e conquistou 22 pódios. Ou seja, só não subiu ao pódio uma vez. Todas as participações foram focadas na preparação para o Mundial de Portugal;

6 – Em 2022 ele conquistou:
16 ouros
4 pratas
2 bronzes

7 – No Mundial, que começa neste domingo, ele disputa 7 medalhas:  200m livre, 100m costas, 100m peito, 200m medley e 100m borboleta, além dos revezamentos 4×100 livre e 4×100 medley.

“A aclimatação está muito boa. Consegui me adaptar ao fuso horário rápido. Tenho descansado bem, fiz treinos muito bons. Meus tempos estão saindo fácil. A piscina é ótima, parece que é rápida. Acho que a competição vai ser muito boa. Vou disputar sete provas. Estou bem animado paro os 200m livre, no domingo, dia da minha estreia. É cansativa por ser longa. Mas meu estilo de crawl está muito bom, consegui encaixar bem. Espero um bom resultado” explica Gabriel. 

O campeonato Mundial acontece entre os dias 12 e 18 de junho, na Ilha da Madeira, e será transmitido pelo youtube do Comitê Paralímpico Internacional. 

A equipe brasileira terá 29 nadadores em busca de medalhas. Na última edição da competição, realizada em Londres, em 2019, o Brasil terminou em 11º lugar no quadro de medalhas, com cinco ouros, seis pratas e seis bronzes, e um total de 17 pódios. A Itália ficou com a primeira colocação no geral com 20 ouros, Grã-Bretanha terminou em segundo (19 ouros), e a Rússia (18 ouros) em terceiro.Este será o maior evento paradesportivo já realizado em Portugal. O Mundial estava inicialmente marcado para setembro de 2021, mas devido ao adiamento dos Jogos Paralímpicos de Tóquio, a competição foi reagendada para este ano.

Luiza Fiorese, bronze nos Jogos de Tóquio, participa do Festival Paralímpico em Colatina neste sábado

O Festival Paralímpico Loterias Caixa, evento destinado a crianças de 8 a 17 anos, com e sem deficiência, chega à sua terceira edição neste sábado, 4, das 8h30 às 12h, em 70 localidades pelo país em 26 unidades da federação. O evento é idealizado e organizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), e somadas as edições de 2018 e 2019 reuniram mais de 17 mil crianças. O Festival também celebra o Dia Nacional do Atleta Paralímpico, comemorado em 22 de setembro. No entanto, por conta da pandemia de Covid-19, o evento foi adiado e acompanhará o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência (3 de dezembro).

A jogadora de vôlei sentado e medalhista de bronze nos Jogos de Tóquio, Luiza Fiorese, retorna ao seu Estado natal para participar do evento na cidade de Colatina. “O quanto antes conseguirmos mostrar que pessoas com deficiência podem fazer o que quiserem, inclusive praticar esportes, melhor. O Festival Paralímpico permite que a gente comece a entender esse pensamento desde cedo. Inclusão vai muito além de construir rampas. Inclusão é também colocar pessoas com e sem deficiência no mesmo ambiente praticando de forma igualitária”, ressaltou a jogadora. Luiza conheceu o paradesporto por causa da abordagem de uma atleta paralímpica do vôlei sentado e valoriza este momento de interação. “Esse pode ser o início da carreira de um campeão paralímpico, ou só um momento de diversão para mostrar que temos capacidade de fazer tudo! Além disso, o contato das crianças com alguns atletas de alto rendimento é fundamental pra que eles possam se sentir representados e saber onde podem chegar também.”

Luiza Fiorese comemora medalha de bronze de vôlei sentado em Tóquio

“Acho que não tinha jeito melhor de começar no cenário de uma Paralimpíada do que com uma medalha. Mas muito mais do que isso é começar com grandes exemplos na minha frente. Eu, como caloura, me vejo nas próximas Paralimpíadas fazendo o que essas meninas fizeram hoje, o que elas entregaram”. Emocionada, Luiza Fiorese destacou a força da Seleção brasileira feminina de vôlei sentado, que conquistou, no início da manhã deste sábado, a medalha de bronze nas Paralimpíadas de Tóquio. Na decisão, no Complexo Makuhari Messe, em Chiba, o Brasil derrotou o Canadá por 3 sets a 1 (25/15, 24/26, 26/24 e 25/14).

Com a conquista, a seleção repetiu o feito da Rio 2016, quando venceu a Ucrânia na decisão do terceiro lugar. O novo triunfo consolida o Brasil entre as potências femininas no cenário do vôlei sentado mundial. “Eu quero muito continuar esse legado, acho muito importante ter este exemplo (das jogadoras mais experientes). É muito importante para o vôlei sentado brasileiro conquistar essa medalha, conseguir esse feito, essas duas medalhas seguidas”, avaliou Luiza. 

Uma das novatas da seleção, a capixaba de 24 anos estreou em jogos oficiais pela equipe nos Jogos de Tóquio e faz parte do processo de renovação do time brasileiro, que conta com várias remanescentes que ganharam a medalha de bronze no Rio, como Gizele Dias e Nathalie Silva. 

O jogo 

A partida que valeu o segundo bronze paralímpico do vôlei sentado feminino foi menos sofrida do que a da estreia em Tóquio, quando a seleção derrotou o mesmo Canadá por 3 sets a 2, em 2h40 de partida. O nervosismo do jogo inaugural fez o time oscilar e não apresentar a consistência vista nas outras duas partidas na fase de classificação, nas vitórias contra Japão e Itália, e no jogo decisivo deste sábado.

Mais soltas em quadra, as brasileiras impuseram o ritmo no primeiro set, fechando em fáceis 25/15. O Canadá entrou no jogo no segundo set, que seguiu equilibrado até a reta final, quando as canadenses abriram 24/20. Com uma boa sequência de Pamela no saque, o Brasil salvou

quatro set points e empatou em 24/24, mas o Canadá ainda conseguiu fechar em 26/24. 

Terceiro set, o momento crucial do jogo

O terceiro set foi um verdadeiro teste para o equilíbrio emocional da seleção e o momento crucial da partida. Depois de ficar atrás no placar durante quase toda a parcial e ver o Canadá abrir uma vantagem confortável, o Brasil reagiu, empatou e virou o jogo, fechando em 26/24. Era a senha para a medalha de bronze que se aproximava. 

Embaladas, as brasileiras voltaram a comandar a partida no quarto set, não dando chance para as canadenses. Depois de abrir 10/3, a seleção retomou o ritmo imposto no primeiro set, com efetividade no ataque e eficiência defensiva, fazendo vários pontos de bloqueio. Com isso, venceu a parcial com mais tranquilidade, em 25/14, e o duelo por 3 a 1, garantindo o bronze.